por Lena Miessva

 

Depois de quase dois anos, o mundo começa a enxergar uma luz do outro lado do túnel, com o possível fim da pandemia de Covid-19, que obrigou empresas e funcionários a se adaptar ao trabalho remoto. Sem preparo ou planejamento, organizações precisaram, às pressas, mudar a rotina presencial e adaptá-la ao mundo digital, incluindo reuniões e eventos. Naquele momento, tão rápido quanto a realocação de pessoas para trabalharem em casa, foi o movimento de implementação ou aperfeiçoamento de canais para a comunicação com colaboradores que se deslocaram para o sistema de home office ou para reforçar orientações sobre protocolos sanitários em unidades fabris de companhias consideradas essenciais na pandemia e que não poderiam interromper seus ciclos operacionais.

 

Para manter um fluxo de informações constante e padronizado, profissionais de Comunicação Interna (CI) foram demandados por soluções criativas e pela ampliação da geração de conteúdos que pudessem sinalizar o cuidado das empresas pela saúde dos colaboradores, considerando aspectos emocionais, físicos, psicológicos, entre outros. Entre as rápidas práticas colocadas em ação, destacam-se a introdução de canais digitais segmentados, o alinhamento com lideranças para trabalharem mais a comunicação com times, a mensuração, ainda tímida, com indicadores específicos, a criação de espaços e jornadas como a Experiência do Colaborador, e a atuação da Comunicação Interna na Cultura & Gestão da Mudança.

 

Sem dúvida, é possível dizer que essa nova realidade de Comunicação Interna e de Engajamento, com foco maior na Jornada do Colaborador, é a grande inovação desde a digitalização da comunicação. Entretanto, importante observar que os profissionais de CI ainda seguem com o mesmo desafio de gerenciar o fluxo das informações e a disputa por atenção em diversas narrativas prioritárias das empresas, com temas como saúde mental, diversidade & inclusão, ESG, cultura corporativa e os desdobramentos da pandemia.

 

É fato que as empresas ainda estão vivenciando cenários de adaptação e reação aos efeitos da Covid-19, considerando aspectos econômicos, sociais e ambientais. Na pesquisa da consultoria Mercer, feita em julho de 2020 com 134 empresas brasileiras, 77% delas afirmaram estarem empreendendo transformações internas em função do cenário pandêmico e de outras adversidades internas e externas. Em pesquisa global de Employee Experience, 39% dos entrevistados também declararam mudanças organizacionais constantes como um dos desafios dos profissionais de Comunicação Interna e de RH para 2021. Nesse cenário, a comunicação e a gestão de pessoas ganham maior relevância e têm atuado juntas. Outro dado relevante da pesquisa é que 84% dos entrevistados mencionaram o aumento de comunicação e transparência como um dos principais suportes ao cenário da Covid-19. Ou seja, as mudanças originadas a partir do cenário da pandemia demandarão atenção e prioridade nas agendas de CI e de gestão de pessoas por um longo tempo.

 

Neste contexto, além de forte atenção ao conteúdo, é necessário encontrar ferramentas e canais que alcancem e interessem ao colaborador, para que ele consuma a informação como um todo e saiba com prioridade as ações, campanhas e objetivos da empresa. Há um crescimento no uso de redes sociais internas, como Workplaces e Yammer. Em algumas empresas e segmentos, houve forte adesão a grupos específicos de WhatsApp ou Telegram.  Com a adesão de plataformas digitais, a mensuração de todo o trabalho de CI se torna extremamente relevante. Portanto, a análise de dados, implementação de dashboards de acompanhamento e a definição de KPIs para mensuração do sucesso deste trabalho é também uma tendência importante.

 

E, entre tendências desta nova fase da Comunicação Interna, está o uso de uma mensagem mais humanizada e, se possível, mais personalizada usando recursos digitais e comunicação em fluxos multidirecionais. Além disso, o colaborador tem exercido, de forma crescente, um papel de influenciador e, em algumas empresas, os que se destacam são convidados a integrar uma rede de apoio à comunicação interna. Vale considerar que, como influenciador e aliado da CI, ele é ao mesmo tempo crítico das ações que não estão em sintonia com propósito ou transparência nas empresas. No caminho futuro, esse influenciador tende a ganhar mais espaço para mobilizar e atingir maior número de pessoas comparado aos canais formais. Ele ainda é fundamental na ampliação da escuta ativa e para capturar o que surge na comunicação interna informal, permitindo ajustes rápidos nos conteúdos divulgados.

 

Agora, com os pés no chão e olhos no futuro, ainda que a entrada de novos canais, mensagens e engajamento tenham trazido ganhos na comunicação interna, a dificuldade em contar com investimentos na área ainda persiste. O que as empresas têm encontrado como caminho para reverter esse dilema é estabelecer parcerias entre os vários setores de suporte corporativo – Recursos Humanos, TI, Comunicação – com objetivo de fortalecer a Comunicação Interna, para gerar conhecimentos e aprendizagem organizacional, em sintonia com Gestão de Pessoas. Isso, com certeza, poderá cada vez mais, contribuir para que CI seja vista como forte aliada em mudanças e ganhar maior protagonismo nas organizações.

Lena Miessva é diretora de Conteúdo e Atendimento da CDI Comunicação