Por causa da internet, a comunicação e a relação das marcas com os consumidores se transformaram, dando voz às pessoas e pressionando as empresas a se aproximarem mostrando atributos básicos, como sua essência, autenticidade e os seus valores.

Agora, mais importante do que só vender um produto ou serviço, é necessário construir diálogos e experiências afetivas em torno de si, transformando um processo, até então, automatizado em algo genuíno.

Assim como o perfil do cliente mudou, se tornando mais criterioso ao consumir e defender uma marca, as empresas estão buscando novas estratégias para conquistar seu espaço e o seu público.

As antigas estratégias de venda, especialmente sobre as vantagens competitivas, se tornaram obsoletas e abriu um novo espaço para a valorização das relações humanas. Por isso, a produção de conteúdo direcionado e qualificado tem se tornado fundamental para fortalecer a presença digital de uma organização, especialmente quando se cria uma rede de relacionamento de proximidade e diálogo.

Nesse sentido, o trabalho com creators, como são conhecidos os criadores de conteúdos, e a produção colaborativa se tornou uma das formas mais eficientes para uma marca ganhar visibilidade, relevância e construir uma comunidade sólida ao seu redor.

Um exemplo disso foi a campanha #MulheresPraFrente, realizada pelo Bradesco em 2019, que convidou diversas mulheres influentes em diferentes meios, com o propósito de estimular conexões e promover reflexões sobre trajetórias e lideranças, além de destacar o papel da mulher nos negócios e na sociedade.

Entre as convidadas estava Ana Paula Xongani, mulher, negra, mãe, empresária de moda afro-brasileira e criadora de conteúdo, que promove conversas leves sobre temas importantes e urgentes em suas redes.

Mas como isso acontece?

Não existe uma fórmula, mas alguns pontos podem ser observados. Para que iniciativas, como a do Bradesco, tenham resultados positivos, uma empresa precisa ter um propósito bem definido, que esteja alinhado com sua estratégia de atuação e que transmita uma mensagem clara.

Do outro lado, um creator precisa acreditar nesse propósito e entender a marca, como opera, quem são as pessoas por trás da organização e acreditar em seus valores. É isso que o deixará livre para defendê-la e para cocriar.

O próximo passo é trabalhar junto com o creator, mais do que apenas “jogar” um briefing. Mas, atenção: a empresa deve compreender que ele é livre e que a experiência de cocriar deve ser algo divertido. Um criador possui uma dinâmica, um jeito único de atuar, e essa particularidade precisa ser respeitada. Ela também pode construir uma narrativa com essas pessoas por meio de conversas contínuas, legítimas e verdadeiras.

E o mais importante:

A marca deve compreender que os esforços de geração de leads precisam ser concentrados na qualidade de um conteúdo produzido e no conjunto de usuários que estão sendo impactados, sem atrelar somente ao alcance, às curtidas e aos views. Números são interessantes, mas criar conexões com o propósito da organização é o que mais importa.

Por fim, é preciso continuar pesquisando, conhecendo e compreendendo quem é o criador, o que ele fala, a forma como o faz e as características da sua audiência. Esse conhecimento demanda tempo e dedicação. Deve-se entender o universo desse creator fazendo parte dele, interagindo e dialogando com ele, seja nas redes sociais, seja na vida real.

Partindo dessas observações, trabalhando fortemente com segmentação e proporcionando espaços de diálogos para agentes de transformação, acreditamos que é possível colocar uma mensagem na boca das pessoas. No final de tudo, a marca falará com todo mundo, mas por meio de diferentes vozes.

Você tem alguma dúvida sobre o trabalho com criadores de conteúdo? Manda pra gente. 😉

Por Amanda Dias e Rodrigo Marques, colaboradores da CDI Comunicação.