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SLC Agrícola: governança na crise da Covid-19

DEPOIMENTO

SLC Agrícola: governança na crise da Covid-19

Por Álvaro Dilli

2020 começou com uma série de desafios para o mundo e não foi diferente para o Brasil. O ambiente corporativo foi surpreendido pela rápida disseminação de um novo vírus que logo afetou todas as empresas e, obviamente, as pessoas que delas fazem parte.

No início de março, a SLC Agrícola, uma das maiores produtoras mundiais de grãos e fibras, estruturou um Comitê de Contingência com objetivo central de garantir a saúde das pessoas, a operação nas 16 Fazendas – localizadas em seis estados brasileiros – e a manutenção do caixa da empresa.

Esse Comitê foi formado por quatro áreas: Recursos Humanos e Sustentabilidade, Financeiro e Relações com Investidores, Produção e Tecnologia da Informação. Também foi integrada ao debate a Fundação SLC, que administra os benefícios de saúde no Grupo SLC.

A partir daí, foi preparada uma política específica para a Covid-19 e um Plano de Contingência que estabeleceu os principais pontos de riscos para serem mitigados, tanto na Matriz (POA), como nas Fazendas. Esse plano foi desdobrado em um Guia de Enfrentamento, reunindo medidas práticas para serem aplicadas em todos os níveis.

Percebendo que cada unidade e setor possui peculiaridades, foram estabelecidas rotinas diárias de troca de informações, atualizando o Guia de Enfrentamento, que também sofre ajustes constantes em função das mudanças nos protocolos da OMS (Organização Mundial de Saúde), Ministério da Saúde e decretos Estaduais e Municipais.

O primeiro desafio foi a transição de todos os colaboradores da Matriz para o trabalho a distância, uma prática nova para a empresa. Esse movimento aconteceu antes da primeira quinzena de março e foi garantido pela agilidade dos setores de Tecnologia da Informação e Recursos Humanos.

Antes de irem para suas casas, os 230 colaboradores receberam capacitações sobre como trabalhar na nova modalidade. Foram desenvolvidos manuais abordando os fatores comportamentais e tecnológicos do trabalho remoto. No prazo de três dias, todos estavam em home office, status mantido até hoje.

Em paralelo ao trabalho ocorrido na matriz, o robusto Guia de Enfrentamento foi aplicado em todas as Fazendas. Entre os tópicos estavam orientações de higiene pessoal, uso correto do álcool gel, frequência de lavagem das mãos e higienização dos locais de trabalho (ônibus, veículos e máquinas operacionais). Foi estipulado, ainda, o uso de máscara em todos os setores.

Ao mesmo tempo, instrumentalizamos as enfermeiras e coordenadoras de saúde e segurança do SESTR (Serviço Especializado do Trabalho Rural) – presente em todas as unidades – para monitorarem os colaboradores com relação aos sintomas de Covid-19 ou estado gripal. A campanha de vacinação de H1N1 foi antecipada em 2020, tendo ocorrido no início de abril, já como uma ação de gerenciamento da crise. Identificamos, ainda, os colaboradores do grupo de risco, que são monitorados separadamente, tendo a saúde física e mental avaliada a cada dois dias. Optamos por cancelar as viagens nacionais ou internacionais e implementamos, também, uma restrição de acesso de visitantes e caminhoneiros às áreas sociais das Fazendas.

Além das ações internas, o Grupo SLC, por meio do Instituto SLC, lançado recentemente com o propósito apoiar as comunidades do entorno de nossas operações, realizou a doação de R$ 1,6 milhão para hospitais e secretarias de saúde de 18 cidades brasileiras para auxiliá-las na aquisição de equipamentos médicos.

Essa governança tem funcionado bem e está alcançando os resultados esperados. É com satisfação que percebemos que, neste meio tempo em que as equipes da matriz estão em home office, todas as atividades continuaram a acontecer normalmente, inclusive folhas de pagamento e fechamentos de trimestre.

Destaco, ainda, que o processo funciona também nas fazendas porque todas as lideranças estão muito empenhadas no processo de conscientização dos colaboradores.

Agora, estamos idealizando um plano de gestão de riscos levando em conta o cenário em cada cidade para promover protocolos customizados, mais flexíveis ou rígidos de acordo com a gravidade da situação regional.

 

Álvaro Dilli é diretor de RH e Sustentabilidade da SLC Agrícola