Focados em conquistar a confiança do consumidor na fase de reabertura, os shoppings de todo o país tiveram de adaptar espaços e treinar equipes para atendimentos aos clientes por causa da pandemia de Covid-19. “Nossa prioridade é oferecer bem-estar e ambientes seguros aos nossos colaboradores, clientes, lojistas e fornecedores”, diz   Waldir Chao, presidente da Cidade Center Norte, complexo multiuso que contempla o Shopping Center Norte, Shopping Lar Center, Expo Center Norte e Novotel Center Norte.

 

Considerado um grande especialista em empreendimentos comerciais e de varejo, Chao está à frente da Cidade Center Norte há três anos. Nesta entrevista, ele afirma que as providências tomadas são suficientes para que os consumidores façam suas compras com tranquilidade. “Mas é importante que cada um cumpra a sua parte em relação aos cuidados e procedimentos necessários estabelecidos pelos órgãos de saúde”.

 

O Shopping Center Norte, um dos maiores e mais tradicionais da capital paulista, recebia, antes da pandemia, 80 mil pessoas diariamente. Em datas especiais, esse número chegou a 100 mil. Mesmo com o crescimento do e-commerce, Chao aposta no valor das lojas físicas e dos shoppings como centros de serviços, experimentação e convivência. “Os shoppings devem seguir evoluindo com o comportamento dos consumidores em termos de compras, serviços e lazer. Já são centros de convivência e devem continuar desta forma, sempre buscando entender as jornadas dos clientes e preencher suas experiências com conforto”, diz.

 

Confira a íntegra da entrevista:

 

Como tem sido este período de reabertura para os Shoppings Center Norte e Lar Center?

Um grande desafio para nós. Tivemos cuidado para implementar as medidas preventivas de combate ao coronavírus por meio da consultoria de infectologistas, e treinamentos das equipes, seguindo rigorosamente as recomendações estabelecidas pelo governo do Estado de São Paulo e prefeitura de São Paulo, que aprovou protocolo da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) para o setor, chancelado pelo Hospital Sírio Libanês. Nossa prioridade é oferecer bem-estar e ambientes seguros aos nossos colaboradores, clientes, lojistas e fornecedores.

 

O consumidor tem demonstrado confiança nessas medidas?  

Sim. As medidas adotadas são fundamentais e suficientes para que os consumidores voltem aos shoppings com segurança.  Como um ambiente controlado, temos condições de oferecer bem-estar a todos os nossos stakeholders. Mas é muito importante que cada um cumpra a sua parte em relação aos cuidados e procedimentos necessários estabelecidos pelos órgãos de saúde.

 

Quando os shoppings e os consumidores terão total tranquilidade nesse sentido?

É muito difícil fazer previsões. Ainda temos um cenário bastante desafiador em relação ao coronavírus no Brasil. O controle e prevenção da doença são instrumentos que temos neste momento até a definição de uma vacina e sua aplicação.  Posso afirmar que temos o compromisso de oferecer os cuidados para que as pessoas retomem aos poucos suas atividades e que se sintam à vontade e bem ao frequentarem novamente os shoppings.

 

Houve um significativo aumento de compras online no varejo desde março. O senhor acredita que o e-commerce pode crescer e tirar consumidores dos shoppings?

O e-commerce não é uma novidade. É mais uma opção para que o consumidor escolha como quer comprar. Mas acreditamos que as lojas físicas sempre estarão à disposição do cliente. Além disso, os shoppings já se tornaram um ambiente de convivência para as pessoas. Um lugar para lazer, entretenimentos, encontros de negócios ou passeio.  Essa é uma tendência desses empreendimentos há alguns anos no Brasil e no mundo. Importante lembrar que alguns serviços foram mantidos e outros implementados enquanto os Shoppings Center Norte e Lar Center estavam fechados. Caso do drive-thru, Compre & Retire e delivery, que estão mantidos até agora, especialmente porque sabemos que muitas pessoas querem opções nas suas experiências: comprar online e retirar no local, comprar online e receber em casa, comprar na loja física e receber em casa ou em outro destino. Ampliou-se a forma de atender ao cliente.  

 

Algumas lojas fecharam nos Shoppings Center Norte e Lar Center? Qual o cenário com lojistas neste momento?

Mantivemos conversas com os lojistas para avaliar alternativas referentes aos negócios de cada um deles. Como forma de apoiá-los, praticamos as reduções no valor do condomínio, que giraram de 20% a 50%, de março a junho. Em relação ao aluguel, as medidas variaram de acordo com o perfil de atividade de cada lojista. Em abril e maio, por exemplo, as lojas sem permissão para operar e que estiveram fechadas integralmente durante esse período, conforme determinações dos órgãos competentes, foram isentas da cobrança de aluguel mínimo e do fundo de promoção. A análise de um novo cenário era prevista e o empreendimento está acompanhando as tendências do mercado como parte de sua estratégia de atuação. Lamentavelmente, algumas lojas não resistiram à queda de seus faturamentos e decidiram encerrar suas operações. Já estamos em tratativas com várias novas operações e, em breve, apresentaremos novidades no nosso mix de lojas.

 

Qual a expectativa de venda para os próximos meses? E se não houver Natal? Essa possibilidade já está sendo cogitada?

Estamos avaliando a questão do Natal. Reabrimos parcialmente os estabelecimentos em 11 de junho e estamos evoluindo conforme Plano São Paulo, acompanhando sempre o comportamento dos consumidores neste novo momento. Estamos focados em conquistar a confiança do consumidor, oferecendo bem-estar e um ambiente seguro aos nossos públicos para que eles retomem suas atividades.  Nossas estatísticas de fluxo demonstraram claramente a evolução, que deverá seguir nos próximos meses, até dezembro.

 

Quantas pessoas circulavam no Shopping Center Norte antes da pandemia?  E agora?

Antes da pandemia, o público médio diário no Shopping Center Norte era de 80 mil pessoas. Em datas especiais, esse número chegou a 100 mil. De 11 de junho, data da reabertura parcial, até 5 de julho, operamos apenas quatro horas por dia, das 16h às 20h, com fluxo diário limitado a 20% de nossa capacidade. Desde 6 de julho, o governo do Estado e a prefeitura de São Paulo liberaram o funcionamento para seis horas, das 16h às 22h, com controle de fluxo diário de pessoas restrito a 40%.

 

Como o senhor acha que deve ser o Shopping do futuro?  

Os shoppings devem seguir evoluindo com o comportamento dos consumidores em termos de compras, serviços e lazer. Já são centros de convivência e devem continuar desta forma, sempre buscando entender as jornadas dos clientes e preencher suas experiências com conforto.