Agora é a hora das empresas fortalecerem sua abordagem de ESG e sustentabilidade

Os critérios ambientais, sociais e de governança se tornaram um ponto focal para as empresas, especialmente porque a Covid-19 ressalta a importância dos fatores sociais negligenciados. Felizmente, existem etapas que as organizações podem seguir para aprimorar o desempenho ESG e de sustentabilidade, ao mesmo tempo em que demonstram como colocam seus valores para funcionar

 

Por Mark McCall*

A definição de critérios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) e seu papel no valor de uma empresa e na estratégia de negócios evoluíram nas últimas duas décadas de um tema de discussão para uma necessidade. Em muitos lugares, a implementação de programas e relatórios tangíveis de ESG evoluiu e tornou-se uma parte fundamental de uma agenda estratégica corporativa.

 

A maneira como uma empresa utiliza sua estrutura ESG para criar valor continua a impulsionar o diálogo nos conselhos e além deles, uma vez que deixa de ser uma questão de postura voluntária das organizações para, em algumas jurisdições, se tornar cada vez mais um tema de relatórios obrigatórios. Sobre a questão ambiental “E”, das mudanças climáticas, por exemplo, acordos internacionais e políticas nacionais estão deliberadamente conduzindo uma transformação em economias globais. A governança também evoluiu, com as melhores práticas sendo claramente identificadas e acompanhadas.

 

Para os fatores sociais “S”, no entanto, as empresas variam em sua abordagem. Enquanto alguns setores, com claras cadeias de suprimentos e pegadas operacionais, há muito tempo enfatizam a segurança ou o respeito dos direitos humanos, outros ramos definiram o social como doação à comunidade ou valores corporativos. Conforme estabelecido recentemente por especialistas em governança corporativa da FTI Consulting, o amplo uso do termo “social” pode ter contribuído para a falha na conceituação do “S” em ESG, levando a uma ausência de foco e mensuração do mercado. Essa dinâmica mudou da noite para o dia.

 

Hoje, as políticas ESG desempenham um papel fundamental nos processos de tomada de decisão das empresas. Em 2019, estima-se que um valor adicional de US$ 70 bilhões tenha sido investido em fundos ESG. O mero fato de que os investimentos ESG devem chegar a US$ 50 trilhões nas próximas duas décadas confirma que os critérios se tornaram populares. Esses fatores não são mais simplesmente “nice to have”, mas sim uma parte essencial do desempenho e da avaliação de uma empresa.

 

Uma abordagem participativa para o crescimento dos fatores sociais

Ao contrário dos fatores “E” e “G”, as questões “S” costumam ser difíceis de definir nas agendas corporativas, abrangendo uma série de questões que variam por setor, desde doações comunitárias até questões de direitos humanos. Seu impacto e valor costumam ser difíceis de quantificar, mas, se adotados de forma equivocada, representam danos irreversíveis à reputação dos grupos de interesse e ao valor de longo prazo.

 

Agora é o momento de apoiar-se nos princípios corporativos e assumir uma posição proativa que reduza riscos e promova a reputação. As organizações que tomam uma posição sobre as questões sociais devem atender às expectativas de cada grupo de interesse, tanto para o desempenho atual quanto para as ambições futuras. Isso foi visto com questões que vão desde a proteção da força de trabalho, por conta da COVID-19, até a aplicação de princípios à luz da injustiça racial. Nesse sentido, testemunhamos a transformação de “S” de “social” para “stakeholder”.

 

As expectativas e o foco dos investidores e outros participantes do mercado, como agências de classificação de risco de crédito, nos fatores “S” crescerão à medida que o escrutínio das empresas continua a aumentar em todos os grupos de interesse e o mundo se adapta a um cenário de negócios em rápida mudança. Esse novo normal cria oportunidades para focar a atenção nas questões “S” que melhoram os relacionamentos com os grupos de interesse, desde funcionários e reguladores até clientes e fornecedores. No entanto, as empresas não podem ignorar seus esforços em meio ambiente e governança, uma vez que as questões ESG estão interligadas.

 

Navegando pela nova norma por meio de um programa ESG eficaz

Uma estratégia ESG eficaz permite que as empresas melhorem o desempenho, gerenciem riscos e aumentem sua posição no mercado. Dessa forma, abordam todas as partes interessadas, inspiram a confiança dos investidores e aumentam o valor para os acionistas. Abaixo estão cinco pontos importantes para as empresas considerarem ao desenvolverem suas estratégias ESG.

 

  • Questões materiais: as empresas devem estar atentas às questões que são consideradas materiais pelas partes interessadas, tanto internas como externas. Os impactos materiais da ESG podem incluir tópicos financeiros, bem como ambientais e sociais. Essas questões não são mutuamente exclusivas e as empresas precisam manter uma perspectiva de longo prazo para avaliar até que ponto os impactos dos grupos de interesse podem afetar sua capacidade de operar e preservar valor.

 

  • Supervisão do Conselho e da Administração: demonstrar liderança e supervisão da gestão ESG nos níveis mais altos da organização, incluindo o conselho, mostra o compromisso da empresa em “fazer o que se fala” sobre sustentabilidade. A supervisão pode variar entre as empresas, dependendo das necessidades e circunstâncias específicas e – assim como acontece com o gerenciamento de questões ESG – uma abordagem única não é recomendada. No entanto, é importante que as empresas formalizem uma estrutura de supervisão ESG para avaliar com eficácia os riscos e oportunidades.

 

  • Programas e políticas inovadoras: o estabelecimento de programas e políticas inovadores para promover os critérios ESG de uma empresa requer uma abordagem bem coordenada. As organizações devem revisar esses programas e políticas como investimentos que produzirão retornos de longo prazo e não como custos de conformidade. Nesse sentido, quaisquer novos programas e políticas também devem ser autênticos quanto ao modo como a companhia opera, não apenas para garantir que o programa seja viável, mas também que seja confiável para todos os principais interessados.

 

  • Métricas e metas: o axioma de gerenciamento “você não pode gerenciar o que não pode medir” também se aplica ao ESG. As métricas e metas ESG devem ser orientadas pela avaliação de materialidade. O propósito de adotar tais métricas e metas não deve ser conduzido por um esforço reativo para apaziguar agências de classificação ESG ou estruturas de relatórios. Embora as diretrizes de terceiros possam ajudar as organizações a desenvolver seu pensamento em torno da gestão ESG, as empresas precisam decidir quais medidas permitem melhor implementação da estratégia, ao mesmo tempo que facilitam uma supervisão eficaz.

 

  • Integre a programação ESG com as comunicações: utilize os programas de ESG para identificar novos canais de comunicação para construir relacionamentos com os grupos de interesse, melhorar a reputação e aumentar a confiança do investidor. Agora há uma série de padrões, métricas e avaliações ESG e de sustentabilidade, mas muitas vezes são mal vinculados às estratégias de engajamento das partes interessadas corporativas. Por outro lado, as estratégias ESG baseadas unicamente no desempenho perderão a dinâmica e a direção da política pública ou o sentimento das partes interessadas, além dos interesses dos investidores.

 

As demandas dos stakeholders estão crescendo. À medida que o ESG se torna ainda mais essencial para o desempenho financeiro e para as expectativas dos investidores, a importância da abordagem de uma organização para o ESG também aumenta. Em tempos tão extraordinários, incertos e turbulentos, a gestão eficaz de ESG contribuirá para a resiliência sustentável dos negócios. Essa abordagem consciente dos stakeholders agora é o novo normal.

 

*Mark McCall é líder global de Comunicações Estratégicas na FTI Consulting

 

Texto original: https://fticommunications.com/en/now-is-the-time-for-companies-to-strengthen-their-approach-to-esg-and-sustainability/