Em sua última reunião realizada nesta quarta-feira (28), o Copom – o Comitê de Política Monetária do Banco Central – decidiu manter a taxa Selic em 2% ao ano. É o patamar mais baixo da história para a taxa, que é a principal referência de juros para a economia brasileira, e que afeta diretamente o rendimento de aplicações de renda fixa, como a caderneta de poupança e os CDBs, que hoje têm desempenho abaixo da inflação.

Trata-se de um cenário inédito no país e que deve perdurar por algum tempo, enquanto a atividade econômica segue em recuperação, após o impacto causado pela pandemia da Covid-19. Isso significa que quem busca aumentar seu patrimônio agora ou planejar seu futuro precisará poupar mais ou correr riscos. O aumento da procura por investimentos no mercado de capitais e por planos e fundos de previdência complementar é um sinal de que as pessoas começam a se adaptar à nova realidade, apesar das barreiras culturais existentes no país e da falta de uma educação financeira da população.

Uma prova do peso da questão cultural é que se 70% dos brasileiros pretendem investir em 2020, como aponta pesquisa da consultoria Capital Research, 41% deles continuam demonstrando um comportamento conservador e optando pela poupança, mesmo com um rendimento de cerca de 1% ao ano. “A economia brasileira mudou e o jeito de investir em previdência privada também. Essa é a hora de buscar alternativas, de fazer diferente”, afirma Ângela Assis, presidente interina da Brasilprev, empresa líder do mercado de previdência complementar no país, controlada pelo Banco do Brasil e pelo Principal Financial Group.

De acordo com a executiva, que substitui Marcio Hamilton, agora no comando da BB Seguridade, a criação de novas e melhores estratégias para transformar o jeito do brasileiro fazer seu dinheiro render e se preparar para o futuro é fundamental no momento – e é o propósito da empresa, que criou novos fundos e trabalha cada vez mais com novas gestoras de investimento.

“O mercado de renda variável vem ganhando mais espaço na carteira dos investidores. Com investimentos diversificados, o dinheiro trabalha por você, e não o contrário. Na maioria dos casos, é preciso ter paciência e saber que o tempo pode ser um grande aliado para uma maior rentabilidade no futuro”, afirma Ângela, que acumula o posto de diretora Comercial e de Marketing da companhia.

Educação financeira

Diante do desafio de mostrar às pessoas que há uma forma diferente de poupar e investir, a Brasilprev vem apostando em projetos de educação financeira e diversificação de públicos. Um exemplo é o PVPL (Projetos de Vida no Ponta do Lápis), projeto social realizado em parceria com a Trevisan Escola de Negócios, que oferece gratuitamente palestras de educação financeira para alunos da rede pública de ensino. “O projeto foi criado em 2010 e, nesse ano, quando completamos 27 anos de história, anunciamos a superação da marca de 100 mil alunos beneficiados, o que revela a ótima aceitação e quão relevante é o projeto para a sociedade”, afirma Ângela.

A empresa também vem criando produtos voltados à “democratização da previdência”, cujo carro-chefe é o Brasilprev Fácil, que permite investimentos a partir de R$ 100 e já superou a marca de 500 mil planos comercializados. Somente nos quatro primeiros meses de 2020, ou seja, no auge da pandemia, foram 129 mil planos contratados, por 120 mil novos clientes. “Isso significa que mais pessoas estão entendendo a previdência privada como uma ferramenta de educação financeira e de planejamento a longo prazo. Mesmo com aportes pequenos, passo a passo, é possível atingir os seus objetivos”, complementa.

Transparência e recuperação

Mas se agora a Brasilprev pode comemorar números como esses, há alguns meses a situação era bastante diferente. A chegada da pandemia teve um forte impacto sobre a companhia, que precisou agir rápido para evitar que investidores temerosos com os efeitos da crise e com a instabilidade do mercado resgatassem seus investimentos de longo prazo. Em julho, três meses antes do planejado, a companhia conseguiu retomar a normalidade de suas operações, atingindo a marca de R$ 300 bilhões em ativos sob gestão.

Para conseguir essa recuperação, a ação imediata da Brasilprev foi a comunicação direta com clientes, colaboradores e canais de distribuição, composto pelas agências do Banco do Brasil. “Desde o início da pandemia, a companhia vem tomando as medidas de segurança necessárias e prestando consultorias para explicar os impactos da crise no cenário econômico e nos planos de previdência”, recorda Ângela. “Elaboramos um plano de comunicação com conteúdos que foram divulgados por e-mail, videoconferências com os clientes, vídeos nas redes sociais e lives abertas, entre outras ações. Nosso objetivo foi passar algumas mensagens-chave, destacando que o período de dificuldade passaria, que movimentos bruscos poderiam trazer perdas, mostrando sempre que o produto de previdência tem foco no longo prazo”, acrescenta a executiva.

De acordo com informações da Brasilprev, somente entre março e abril, a empresa realizou mais de 2,4 mil treinamentos, com 12,6 mil funcionários do Banco do Brasil, 16 mil consultorias, 99 eventos virtuais com clientes e disparou cerca de 24 milhões de e-mails. A comunicação deu certo e se transformou em bons resultados. “A partir da metade de abril, começamos a sentir os efeitos das ações de assessoria. Em julho, tivemos o melhor desempenho do ano e antecipamos em um trimestre os resultados estimados para esse período”, conclui.