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Do discurso à prática: Por que a cidadania corporativa é
mais importante do que nunca?

Por Christine DiBartolo e Jessica Roston

Do discurso à prática: Por que a cidadania corporativa é mais importante do que nunca?

À medida que a Covid-19 continua sua disseminação implacável nas comunidades em todo o mundo, os líderes empresariais se encontram em um momento-chave, que não apenas testará suas capacidades de liderança, mas também mudará a forma como os negócios funcionam nos próximos anos. Nos últimos 18 meses, a demanda por estratégias corporativas de ESG (ambiental, social e de governança) tem aumentado, e a necessidade de relatar proativamente narrativas corporativas que demonstram um objetivo social mais amplo nunca foi tão alta.

Com tanta coisa em jogo, as pessoas estão olhando para o setor público e privado em busca de soluções para as necessidades da sociedade. Eles não apenas esperam que seu governo local, estadual e federal ajam, mas também que os líderes corporativos façam o que é certo. De acordo com uma pesquisa recente realizada pela FTI Consulting, 82% dos americanos estão prestando mais atenção nos “Líderes / CEOs que estão atuando para ajudar os necessitados”.

Ao agir, uma empresa pode reforçar o seu compromisso de ser uma companhia movida por um propósito ou uma missão. Com níveis crescentes de desemprego, aumento da demanda nos bancos de alimentos, crianças sem ensino básico e escassez de equipamentos de proteção para profissionais médicos, não faltam oportunidades para as empresas ajudarem. Nenhuma empresa pode resolver sozinha os problemas que estamos enfrentando e nenhuma contribuição é muito pequena. É hora de arregaçar as “mangas corporativas” e retribuir verdadeiramente às pessoas e comunidades que permitiram que as empresas prosperassem.

Considere o seguinte ao começar a desenvolver o caminho que sua empresa seguirá.

 

Adote uma postura “people first”, pessoas em primeiro lugar

Oitenta e seis por cento dos norte-americanos afirmam estar prestando mais atenção do que o habitual na forma “como as empresas cuidam da segurança e do bem-estar de seus funcionários”. Depois de implementar protocolos de segurança e estabelecer um processo de comunicação contínua com seus funcionários, considere maneiras adicionais de apoiar as necessidades do seu pessoal e de outras partes interessadas. Se sua empresa ainda estiver aberta, você tomou medidas extras para garantir a segurança dos funcionários e dos clientes? Se você está distribuindo produtos, como está protegendo a saúde de seus funcionários? Verifique se você está equilibrando seus atos de boa vontade com a comunidade com ações que reforçam que a segurança e o bem-estar de seus funcionários continuam sendo uma prioridade.

Da mesma forma, com a preocupação sobre a segurança do emprego atingindo os níveis mais altos de todos os tempos, será importante adotar uma abordagem para garantir que qualquer doação não comprometa a manutenção dos empregos. A pesquisa da FTI Consulting também descobriu que 79% dos americanos estão prestando mais atenção em “como as empresas estão pagando ou retendo seus funcionários”. Os executivos que se comprometeram a renunciar a seus salários podem ser bem vistos, mas, no final das contas, tomar decisões de negócios que protejam os funcionários terá o maior impacto a longo prazo na confiança, lealdade e reputação.

 

Pense em seus produtos e serviços

Você é fabricante de bens essenciais que podem ser doados a comunidades carentes? Você gerencia a logística da cadeia de suprimentos e tem a capacidade de criar novos caminhos para redirecionar recursos para populações isoladas? Você tem uma fundação corporativa ou programa de doação com a capacidade de realocar fundos para organizações sem fins lucrativos que prestam serviços essenciais no momento? Todos os dias surgem novos exemplos de empresas que estão encontrando maneiras criativas de orientar seus negócios para atender às crescentes demandas das comunidades. A ações vão desde emprestar dinheiro a agências de ajuda local, até doação de produtos e serviços. Isso inclui fabricantes que estão convertendo e equipando suas lojas para apoiar a produção de equipamentos de proteção individual, desinfetantes e muito mais. Em outros casos, os distribuidores de alimentos estão entregando itens essenciais aos trabalhadores da linha de frente e às comunidades carentes em que operam. Pense em como sua empresa pode contribuir para um esforço de assistência mais amplo.

 

Convocar e conectar sua rede

Em alguns casos, uma empresa pode não ter o tipo certo de infraestrutura para fornecer os serviços ou suporte necessários. Nesses casos, considere sua rede ou organizações de pesquisa em sua comunidade às quais você pode prestar apoio. Embora você sozinho possa não ter os recursos certos para atender às necessidades da sua comunidade, pense nas maneiras pelas quais você pode agir como promotor de parcerias com outras empresas para combinar recursos para fazer mais. Além dos parceiros corporativos, pense em oportunidades de parceria com organizações sem fins lucrativos. As ONGs têm mais experiência no gerenciamento de crises humanitárias e possuem expertise para responder a essas demandas. Estas parcerias também oferecerão benefícios duradouros, não apenas para os beneficiários, mas também para a sua empresa.

 

Seja autêntico

Não há dúvida de que grandes instituições, incluindo o setor privado e o governo, experimentaram universalmente uma perda de confiança da população. Provavelmente nunca houve um momento mais importante ou uma oportunidade maior de reconstruir essa confiança do que agora. Mais do que qualquer outra coisa, as doações corporativas precisam ser significativas, autênticas e críveis. Os líderes empresariais têm a oportunidade de alavancar seu poder de forma positiva para mobilizar os recursos necessários, estabelecer parcerias significativas e desenvolver soluções inovadoras para atender às necessidades crescentes das comunidades em todos os países. Além de ajudar a resolver alguns dos maiores desafios que o mundo já enfrentou, o valor de suas contribuições e liderança neste momento terá efeito de longo prazo.

Encontrar o caminho para o outro lado dessa luta é maior que uma pessoa ou uma empresa. Não podemos fazer isso sozinhos. Os líderes corporativos devem levar o discurso para a prática.

 

Christine DiBartolo e Jessica Roston são diretoras sênior de Comunicação Estratégica da FTI Consulting em Chicago