Diante de um cenário em que sociedades e economias ao redor do mundo foram severamente afetadas pela pandemia da Covid-19, 30% dos investidores já reconhecem a importância da agenda ESG para uma recuperação gradual e sustentável das atividades econômicas. O dado revelado pela pesquisa Sustainable Financing and Investing Survey 2020, feita pelo banco HSBC, é mais uma indicação de que o chamado “capitalismo de stakeholder” veio para ficar.

Outra evidência de que os critérios sociais, ambientais e de governança serão determinantes para a alocação de recursos na economia vem do fato de que o movimento ESG surgiu a partir de anseios dos próprios acionistas das empresas. Exemplos recentes, como o posicionamento da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, favorável a investimentos sustentáveis, e o compromisso assumido por 181 CEOs de dirigir suas companhias em benefício de todos os stakeholders também corroboram essa tendência, assim como a expectativa de que US$ 257,5 bilhões em título de dívidas voltados ao ESG sejam emitidos em 2020, segundo estudo da Climate Bonds Initiative (CBI).

Com a chegada de 2021, os líderes empresariais, no Brasil e no mundo, precisarão definir como endereçar efetivamente a agenda ESG e estabelecer uma lista de ações essenciais para que consigam responder adequadamente a esse chamado da sociedade por uma atuação ativa dos problemas que atingem suas comunidades. A CDI Trends Especial conversou com líderes de organizações que estão na vanguarda desse debate e apresentam uma visão relevante para o futuro do ESG no país.

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“As boas práticas de governança corporativa têm como objetivo final o bem comum, mas isso nunca ficou tão claro como agora. Em meio às mazelas provocadas e acentuadas pela pandemia, a preocupação com as questões ambientais, sociais e de governança corporativa [ESG, na sigla em inglês] ganhou força como uma agenda e um mecanismo de pressão para uma atuação mais sustentável das organizações. Numa sociedade que se pretende ser justa, igualitária e próspera, tornou-se um imperativo para as empresas e seus líderes, enquanto agentes de transformação e geração de valor, atuar proativamente para solucionar os problemas que afligem a humanidade e o planeta.

A interdependência entre atividades econômicas, recursos naturais e o bem-estar coletivo está latente. Nenhuma organização, seja ela pública, privada ou do terceiro setor, será capaz de atravessar esse período de convulsões sem uma boa governança, fator essencial para a integração dos aspectos sociais e ambientais aos modelos de negócios e para a liderança eficaz. É nisso que o IBGC acredita e continuará perseguindo em 2021.”Pedro Melo, diretor-geral do IBGC

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“Sabe-se que os momentos de crises extremas e profundas aceleram a história. Mas para qual destino? Crises da magnitude da que hoje o mundo vive, com a pandemia da COVID-19, podem agravar problemas estruturais sistêmicos das nossas sociedades. Podem radicalizar desigualdades, privilégios e ineficiências. Por outro lado, momentos como esse são também oportunidades únicas para esforços coletivos de transformações profundas, correções de rumos e sistêmicas, oportunidade para problemas históricos serem atacados e solucionados, distorções corrigidas e justiça feita. 

Mas para isso, saber para qual rumo iremos, depende de nós e das decisões que estão sendo tomadas já. Principalmente, é necessário que essas decisões se deem de maneira transparente e íntegra para que efetivamente produzam resultado em prol do bem comum. E, ao invés de agravar esses problemas estruturais, possam tomar o rumo das grandes correções. As empresas têm um papel fundamental participando desse processo, para que elas próprias, suas ações diante dessa conjuntura, também sejam pautadas pela transparência e integridade. Desse modo, elas possam exercer seu papel como agentes de transformação e pressão sobre o poder público para que ele também responda adequadamente de maneira que opere em nome do interesse público.” – Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional Brasil 

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“2020 foi um verdadeiro teste, a duras penas, para os empresários. Nunca se falou tanto da necessidade de reinventar os negócios, como uma verdadeira lei de sobrevivência social e financeira. Empresas precisaram se adaptar rapidamente às mudanças, abrir precedentes jurídicos para contemplar novas modalidades e formatos de trabalho, reorganizar processos, rever o fluxo de caixa e o posicionamento estratégico. Acredito que otimismo e capacidade de adaptação em cenários críticos são aprendizados fundamentais. Aptidão para o gerenciamento de crises, investimentos em inovação e, não menos importante, gestão profissionalizada. Avalio que 2021 será um ano de melhores resultados, contínua recuperação da economia, oferta de crédito e aumento da taxa de emprego.

Com esse cenário positivo, os empresários devem continuar fazendo o dever de casa, repensando planejamentos de médio e longo prazo, melhorando continuamente a produtividade e a eficiência nas suas empresas. Considero importante também fazer investimentos em automação e na digitalização dos processos, bem como na capacitação e no treinamento dos colaboradores. As empresas que se sobressaem nas grandes dificuldades são as especialistas em seus negócios – players de mercado que têm discernimento na tomada de decisões, visão ampla e de longo prazo, liderança humanizada e boas perspectivas em dias melhores.” – Gustavo Martins, CEO da Renovigi Energia Solar

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