O surgimento da pandemia da Covid-19 colocou o setor de saúde no centro das atenções da sociedade e a resposta da indústria veio apoiada pela qualidade dos profissionais e pela capacidade de inovação das empresas. Novos desafios surgiram e, com eles, respostas ágeis, soluções inovadoras e novos modelos de negócio, que antes davam seus primeiros passos, tiveram a oportunidade de experimentar um crescimento acelerado. Um exemplo é o número de novas healthtechs no mercado, que segue em expansão. Já as plataformas de telemedicina entraram de vez na vida de milhões de brasileiros, que agora usufruem de uma nova e eficiente forma de cuidar da própria saúde.

Referências do mercado conversaram com a CDI Trends Especial sobre quais podem ser os maiores impactos e desafios do setor no cenário pós-pandemia, a partir de 2021. Eles também apontaram tendências de tecnologia e mercado que terão papel de destaque no setor no novo ano. Depoimentos que enxergam um futuro baseando-se nas experiências vividas em dias que misturaram dor, trabalho incansável e esperança.

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“As farmacêuticas ocupam papel de destaque em meio a uma pandemia, já que tratam de ciência, de onde se espera que venha – e possivelmente virá – uma resposta para a solução desse problema de ordem mundial. Estamos passando por diversas revoluções de processos, como aprovação de protocolos de pesquisa e sua execução em tempo recorde na busca de uma resposta definitiva ou paliativa, além de uma transformação digital que levaria alguns anos para ser executada, mas que nos mostraram que podemos, sim, contar com a tecnologia das mais diversas maneiras.

Tudo isso já tem contribuído para que haja uma evolução nas ações que, com certeza, terão reflexo em mais agilidade e eficiência em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos. Estamos cada vez mais conscientes de que precisamos ter uma visão global para que pesquisas e avanços da medicina ofereçam respostas ainda mais rápidas à população no que tange ao cuidado com a saúde e à cura de doenças.” – Marcus Sanchez, acionista e vice-presidente da EMS

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“A pandemia da Covid-19 deu uma grande visibilidade ao setor de saúde no mundo inteiro, algo que jamais havia acontecido nessa proporção, com destaque principalmente aos profissionais da linha de frente. No Brasil, isso expôs as deficiências de equipamentos na maior parte dos hospitais e a dificuldade da indústria em abastecer toda a demanda. Demonstrou também a dependência de importação de materiais de insumos hospitalares. A boa notícia é que a qualificação dos nossos profissionais de saúde garantiu um bom enfrentamento da pandemia.

Pós-pandemia teremos que lidar com a demanda reprimida das demais doenças. No setor privado, também haverá impactos causados pela crise econômica, com a perda de empregos e a consequente saída dessas pessoas dos planos de saúde. Como oportunidades, teremos a maior valorização dos profissionais de saúde, a priorização da indústria de equipamentos médicos nacionais e a incorporação de novas tecnologias, como a telemedicina, a robotização e o trabalho em home office nos casos em que há essa possibilidade.”Valdesir Galvan, CEO da AACD

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