Um imperativo ético e uma vantagem competitiva para os negócios. Esses são alguns dos fatores que vêm tornando a necessidade de elevar os níveis de diversidade e inclusão no mundo corporativo cada dia mais um consenso entre as empresas. Seja nos Estados Unidos, sacudidos por movimentos como o Black Lives Matter, seja na Europa, onde aumenta a pressão sobre as corporações para a adoção de políticas de igualdade de gênero, a realidade é a mesma. De acordo com a Pesquisa Global de Diversidade e Inclusão, da PwC, 76% dos executivos de grandes empresas já enxergam a diversidade como um valor ou área prioritária e 17% das empresas contam com uma função de diversidade no nível executivo.

Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Em um país com alto nível de desigualdade social e de oportunidades como o Brasil, o tema certamente continuará na pauta das organizações em 2021. A questão central que permanece é: uma vez que os benefícios de contar com uma equipe diversa – como a multiplicidade de visões para solucionar um problema – já estão evidenciados, e que a sociedade civil organizada passou a cobrar mais fortemente as empresas pelo aumento da diversidade social, racial e de gênero em suas posições de liderança, como garantir que as empresas vão de fato avançar nesse quesito? Para responder a essa questão, a CDI Trends Especial colheu depoimentos de líderes que estão atuando efetivamente para endereçar essa questão e apresentam sua visão sobre como essa importante perspectiva deve pautar 2021.

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“Discutir a diversidade dentro do ambiente corporativo é fundamental para as empresas, pela relação direta com os funcionários que fazem parte das organizações e pelos seus consumidores, clientes e comunidades que as cercam. E essa discussão tem impacto direto nos negócios. Criar um ambiente mais acolhedor, aberto e transparente aos funcionários, promove a atração e retenção de talentos com características diferentes para estimular ideias e inovação, que podem gerar novos produtos e serviços, a partir de um grupo mais diverso pensando junto. Esse esforço também impacta a forma de se relacionar com a sociedade e clientes, cada vez mais cientes de seus direitos e identidade e que buscam empresas e produtos alinhados a essa conscientização de respeito e representatividade.

Para estimular um ambiente de trabalho mais diverso e inclusivo, é importante começar por passos simples, mas sólidos e corajosos: sensibilizar a liderança para um comprometimento efetivo em prol da diversidade, pois eles são agentes-chave na transformação; despertar a consciência sobre nossas atitudes a 100% do colaboradores, com treinamentos constantes e conversas educativas sobre respeito e inclusão; e criar processos formais que possam inibir quaisquer práticas discriminatórias, como um código de conduta claro e de conhecimento de todos, e canais de denúncia e apoio. Uma vez esses caminhos abertos, os gestores passarão a conhecer ainda mais a população da empresa para, então, estimular políticas de contratação, desenvolvimento e empoderamento, retenção e promoção de pessoas diversas.”Fabio Protásio Oliveira, CEO da AIG

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“É importante que as lideranças das empresas entendam que as pessoas são essenciais para todo e qualquer tipo de negócio. Hoje, ter uma equipe plural vai além de apenas cumprir a legislação ou estar de acordo com as discussões atuais. Trata-se de uma necessidade inerente ao negócio, uma forma de trazer novos olhares, públicos, experiências e conhecimentos, enriquecendo o ambiente corporativo.

Criar programas e desenvolver ações como workshops, grupos de afinidade e mentoria reversa, voltadas à inclusão das minorias, por exemplo, é um caminho. Abraçar a transformação é uma forma de tornar a organização mais consistente e de gerar uma sociedade mais forte.”  – Wellington Silverio, diretor de RH para a América Latina da John Deere

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“Criar diversidade e inclusão significa efetivamente acreditar que as diferentes experiências de vida das pessoas podem contribuir, de forma significativa, para o alcance dos resultados do negócio. As organizações que possuem uma força de trabalho diversificada e uma cultura inclusiva são conhecidas por atrair e reter talentos além de serem mais inovadoras e criativas. A busca por esse diferencial será uma forte tendência em 2021.

Para isso, é preciso ter uma cultura voltada à diversidade e à inclusão; ter líderes como verdadeiros embaixadores do tema; programas e políticas com ações bem definidas; métricas para monitoramento de índices de turnover e avaliação de desempenho; manter comunicação aberta; atentar-se à diversificação das contratações definindo regras inclusivas, isto é, uma pluralidade de perfis de raça, religião, capacidade física, idade, gênero, estado civil, conceitos ideológicos, entre outros; promover a igualdade de oportunidade (paridade de gênero). A Trane® tem o compromisso de promover um ambiente progressivo, diverso e inclusivo. Diversidade é um fato. Inclusão é uma escolha. Qual você escolhe?” – Diogo Prado, diretor-geral da Trane Technologies no Brasil

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