“A compra precisa ser sempre uma boa experiência”

Um dos empresários mais relevantes do varejo brasileiro, Michael Klein atuou desde cedo na empresa que revolucionou o segmento no Brasil, líder no mercado de bens duráveis e reconhecidamente um case internacional

 

Michael Klein, filho do fundador da Casas Bahia – Samuel Klein -, utilizou sua experiência no segmento para criar, em 2010, o Grupo CB. Depois da Icon Realty, um dos maiores ativos imobiliários do País, vieram a Icon Aviation, com foco em aviação executiva, e a marca CB Autos, atuante no mercado automobilístico de luxo.

Em junho de 2019, tornou-se sócio de referência da Via Varejo, com a aquisição de ações em leilão da B3. Recentemente, durante oferta de ações – follow on – fez um novo aporte, totalizando hoje 9,9% de participação individual. Juntos, ele e a família têm 22,6% da Via Varejo. “Minha família tem uma longa trajetória no varejo brasileiro e a decisão estava bastante relacionada a salvar esse legado”, afirma.

Nesta entrevista exclusiva, o empresário conta como tem sido sua rotina durante a pandemia, a atuação nas empresas do Grupo CB e expectativas para o futuro do varejo.

 

Como tem sido sua rotina nos cinco meses de pandemia?

Como muitos brasileiros que puderam, eu e minha família ficamos em casa nos primeiros meses. O trabalho remoto foi adotado como alternativa para dar andamento aos negócios e tomadas de decisões nas empresas do Grupo. Tenho um time forte e experiente que me ajuda bastante a enfrentar este momento. Lembro que o home office também foi uma das medidas para os colaboradores. Com a flexibilização adotada pelo governo do Estado e prefeitura, tenho ido a Congonhas, onde ficam a Icon Aviation e a Icon Realty. São ambientes seguros para todos. Felizmente, os colaboradores das empresas do Grupo estão bem.

 

Os voos da Icon Aviation foram reduzidos durante a pandemia?

O setor aéreo de uma forma geral foi bastante afetado pela pandemia. De repente, as pessoas não viajaram mais. Tivemos redução nos voos, não apenas pela questão de segurança em relação ao vírus, mas também pelas restrições impostas por vários países e cidades brasileiras para viagens.

 

Mas a empresa continuou atuando com outros serviços?

Tivemos aumento de demanda por voos internacionais em março e abril. Foram procuras não só de brasileiros que estavam fora e quiseram voltar ao País, mas de estrangeiros que estavam no Brasil e foram para outros países. Além de transporte de passageiros, a partir de abril passamos a oferecer transporte de cargas biológicas, com a aprovação pela ANAC da Portaria nº 880, permitindo que as empresas de aviação executiva oferecessem esse serviço. Houve, também, uma grande demanda de UTI aérea durante a pandemia.

 

A ANAC aprovou, no início de agosto, novas regras para que empresas de táxi-aéreo possam vender assentos individuais para passageiros. O senhor avalia como uma boa oportunidade?

Sim, com essa nova modalidade de serviço autorizado pela ANAC conseguiremos suprir uma deficiência da aviação comercial em atender algumas localidades, principalmente neste período de pandemia. Existe outra vantagem para o passageiro que é evitar a aglomeração de pessoas em saguão de aeroporto. E reforço que o processo de higienização em nossas aeronaves é bastante rigoroso.

 

O que motivou o senhor a adquirir as ações da Via Varejo no ano passado?
Minha família tem uma longa trajetória no varejo brasileiro e a decisão estava bastante relacionada a salvar esse legado.  A oportunidade surgiu no momento em que a empresa deixou de ser prioridade para o grupo francês, que buscava um comprador para o negócio. A venda das ações foi comunicada ao mercado e manifestei meu interesse na aquisição.

 

O senhor pretende aumentar o percentual das ações no longo prazo?
Quero me manter como sócio de referência. Se der, aumentar substancialmente a participação na empresa.

 

Na sua opinião, o que as empresas de varejo devem fazer para se manterem atuais com tantas mudanças?

Cuidar muito bem do cliente, tanto daquele que vai à loja quanto do que adquire produtos pelas plataformas digitais. Houve, no mundo, uma grande transformação na forma de se fazer negócios e de se relacionar com os consumidores. A revolução digital mudou hábitos, comportamentos, mas a compra precisa ser sempre uma boa experiência, por meio de bom atendimento, produtos de qualidade e preços competitivos. Isso precisa ser igual, seja na loja física, seja no e-commerce.  O cliente deve ser muito bem tratado.