Na dúvida, jamais compartilhe

Dados duvidosos, sem fonte confiável, não devem ser repassados    

“As redes sociais são muito úteis, oferecem serviços prazerosos, mas são uma armadilha”, disse o sociólogo e filósofo polonês Zygmund Bauman durante entrevista ao jornal El País, em 2016, um ano antes de morrer. A afirmação de um dos maiores pensadores do século XX também nos leva a refletir sobre o compartilhamento de fake news, algo crescente e bastante preocupante para a sociedade em geral.

Um estudo da Universidade de Oxford, mencionado na Folha de S.Paulo de 28 de julho de 2018, aponta que a manipulação de grupos organizados por políticos nas redes sociais já atingiu 48 países no último ano. O mais alarmante: 20 a mais do que na pesquisa anterior, apresentada há 12 meses. Infelizmente, o Brasil está na lista em ambas  avaliações. A poucos meses das eleições no País, provavelmente, continuará a fazer parte do ranking.

Rapidamente compartilhadas com ajuda de robôs ou mesmo por pessoas, as notícias falsas também já afetaram diversas empresas – nacionais e estrangeiras – e até provocaram mortes, como o terrível caso da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, moradora do Guarujá (SP), espancada por vizinhos até a morte após um boato gerado nas redes sociais afirmar que ela praticava magia negra com crianças. Esse fato, ocorrido em maio de 2014, sempre é lembrado em eventos e discussões sobre o tema, assim como novas situações a cada dia.

Muitas iniciativas estão sendo tomadas por veículos de comunicação, entidades de classe e pelas próprias redes sociais para evitar a circulação de fake news. Sem dúvida, esse combate é fundamental para não prejudicar o importante debate para o País neste momento e evitar novas vítimas. Cabe, também, a cada cidadão que vive na era digital a responsabilidade na disseminação de informações. Na dúvida, jamais compartilhe.

Vale lembrar que é imprescindível colocar em prática o senso crítico, indispensável em tempos de pós-verdade. Dados duvidosos, sem fonte confiável, não devem ser repassados, obviamente. E a abordagem aqui é a conscientização em relação ao desconhecido. É claro que a pessoa poderá ser responsabilizada se compartilhar a notícia sabendo que é falsa.

Temos conhecimento que algumas empresas já incluíram o tema em seus novos códigos de conduta. Isso traz aos colaboradores de cada uma delas a oportunidade de refletir, avaliar atitudes e engajar outras pessoas, prevenindo o comportamento não ético no ambiente corporativo e fora dele. Afinal, nesse sentido não existe o profissional ou o pessoal, o público ou o privado. Como afirma Pollyana Ferrari, professora da PUC-SP, sendo um indivíduo ético, compartilha-se menos fake news.

Como profissionais de comunicação temos a tarefa diária de alertar, por exemplo, sobre os perigos e consequências de postagens inadequadas nas redes sociais. Combater o compartilhamento de notícias falsas é mais uma missão importante que consideramos e que deve ser abraçada por todos.

 

Artigo de Anaísa Silva, Diretora de Atendimento da CDI Comunicação Corporativa, publicado no e-book gratuito Fake News do Grupo CDI. Tenha acesso ao conteúdo do e-book aqui.     

 

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